Criador do CSI afirma que gostaria de produzir uma versão no Rio

Ao contrário de Marta Kauffman, criadora da série Friends, que declarou que as novelas estão com os dias contados, Zuiker prevê longa vida ao formato.

São Paulo  – “Quero fazer todo mundo ficar rico” – em um português carregado de sotaque, foi este o aviso que o norte-americano Anthony Zuiker, de 44 anos, criador da franquia de séries policiais CSI deu para seus discípulos na passagem pelo Brasil, no final de março, quando veio dar lições aos roteiristas dos canais Globosat.

Antenado, ele sabia que a lei 12.485, que obriga canais pagos a exibiram produções nacionais, está mexendo com o mercado. “Tem algo de especial acontecendo aqui. O governo brasileiro tem visão de fortalecer a TV paga. Isso é um presente que fará diretores, roteiristas e produtores a criarem um nível de histórias que será um cartão postal para o mundo, além de capturar o que há de bom nos brasileiros, Tudo isso será mostrado do ponto de vista do Brasil e o mundo vai entender”, disse, em conversa com o Estado.

Ao contrário de Marta Kauffman, criadora da série Friends, que declarou que as novelas estão com os dias contados, Zuiker prevê longa vida ao formato. “A novela é um componente importante que não pode ser desfeito, tem de ser respeitada. Elas vão elevar os níveis dos roteiros que estamos fazendo. Todo mundo que criar programas no futuro deverá tudo às novelas”, sentencia.

Fã de caipirinha, ele não descarta fazer um CSI Rio. “Eu, particularmente, tenho muito interesse em coproduzir isso com alguma empresa brasileira. Quando saí da churrascaria, vi pela janela os aviões, o mar, as pessoas em barcos e pensei: é como CSI Miami, mas é o Rio. Sinto que aqui é um lugar do mundo em que todos deveriam conhecer. Mal posso esperar para ver o que os autores poderiam criar sobre isso.”

Cidade de Deus é a primeira produção brasileira que lhe vem à cabeça. Ele, porém, avalia que a versão nacional do CSI teria outro enfoque. “Em 24 episódio de um programa sobre crimes no Rio, o tráfico estaria em só um. Como produtor executivo, o que menos faria em um programa desses no Brasil seria falar sobre traficantes de drogas. O Brasil não é só o tráfico de drogas, há cultura rica, paixão, arte, suas pessoas, a comida e a caipirinha. Não queremos mandar a mensagem de que o Brasil é um lugar de traficantes. Todos os países têm problemas com o tráfico”, defende.

Recentemente, Zuiker produziu nos EUA o reality Whodunnit? (Quem Fez Isso? em livre tradução) em que pessoas comuns desvendam crimes no estilo CSI. “É o ponto de vista de um cidadão comum, não de um especialista. É interessante ver uma dona de casa sem experiência nisso, mas tem instintos. No final, vão descobrir que há um assassino no grupo.”

Antes de emplacar a série de sucesso, Zuiker trabalhava como condutor do trem de um hotel em Las Vegas, onde cresceu. Ao vender por US$ 35 mil o roteiro de Aposta Mortal (1999) e ver que um produtor o revendeu por US$ 1 milhão, ele continuou na luta e criou CSI após ver um programa sobre investigações no Discovery Channel.

Anthony Zuiker recomenda aos roteiristas iniciantes criar em grupo. “Não trabalhe sozinho achando que é o único com ideias na cidade. Minha confiança é abalada o tempo todo. Todos os dias tento ser brilhante. Às vezes, consigo, às vezes, não. Se você não aceitar colaboração, não vai conseguir fazer. A regra é: não compita, é ruim para o negócio”, ensina.

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